Eco

Calado, eu morro no fundo das ideias,
ofego no cativeiro do pensamento,
jogo siso sorrindo com o sofrimento
ao pé de um muro do pensar sem janelas;

falando, afio uma guilhotina à língua,
faço um nó-de-marinheiro na garganta,
amarro-o no pulso da dúvida que anda
através das palavras não ditas ainda.

Mas grito no silêncio: cavo minha cova,
visto meu túmulo e escrevo minha lápide
onde descrevo o vazio d’um sol sem tardes

o qual emana uma nesga de luz torta
por medo de escurecer mais outro breu
com o falho e mal-fúlgido fulgor seu.