sem destino
busca beleza
pelo caminho
da dúvida
e do torpor:
mente lúcida
— cheia de horror.
A boca amarga
canta sem amor
hinos de cobre
— chuvas de dor.
Em sonhos fluidos
sem nenhuma flor
zarpei à deriva
num navio sem cor.
O mar-lucidez
fez-me naufragar
a fronte sem tez
no próprio sonhar.
O mar é deserto,
agora. Não mais
galgo incerto
sem pés, sem paz.
Mas lamas de medo
— água e desatino —
travam meus joelhos
pelos caminhos
de fina entrada
sem olhos fitos,
com ventos escritos
— vida inventada.
S. Benedito, 21.01.16